Seguidores

abril 01, 2012

8ª Sexta-Feira do Professor UniRitter

No dia 30 de março, tem início a 8ª edição da Sexta-feira do Professor no UniRitter. O projeto tem como objetivo oferecer formação continuada a mediadores de processos de leitura e de escrita, em parceria entre o Curso de Letras da Instituição e a 1ª Coordenadoria de Educação da SE do RS. Além de serem direcionadas a professores da Rede Pública Estadual, as oficinas são abertas a estudantes de graduação e de pós-graduação lato e stricto sensu que têm interesse pela leitura como experiência acadêmica fundamental.

O encontro acontece sempre na última sexta-feira do mês, das 14h, às 17h, no Auditório 1, do Prédio A do UniRitter.

Confira o cronograma das oficinas de 2012

30/03 - Literatura infantil: ler é cultura, paz e prazer | Ministrante: Flávio Lunardi
27/04 - Leitura de Histórias em Quadrinhos nas Escolas | Ministrante: Paula Mastroberti
25/05 - Teatro: o texto em cena | Ministrante: Luciana Éboli
29/06 - A criação literária nas escolas | Ministrante: Marcelo Spalding
31/08 - A arte de contar histórias: narrativas das vivências de leitura e de contar causos | Ministrante: Lisana Bertussi
28/09 - Personagens femininas na literatura e suas histórias nos Territórios da Paz (Lei Maria da Penha e Lei 10.639) | Ministrante: Raquel Silveira
26/10 - Leitura da poesia: vivências poéticas de Maria Carpi | Ministrantes: Maria Carpi e Regina da Costa da Silveira
30/11 - Festival da leitura e da canção afro-brasileira | Ministrante: Richard Serraria

Informações: nepec@uniritter.edu.br

Certificados: No final do semestre, os participantes optarão por receber os certificados de acordo com sua a sua frequência e a cada encontro poderão solicitar atestado de presença junto à Secretaria da Instituição.

Evento gratuito.
Carga horária: 4h por encontro. Válido como atividade complementar.

março 30, 2012

"O que se enxerga é apenas uma das variações do que pode existir" (Marice Fiuza Geletkanicz).



Dança e Escrita em Mim

De um lado a outro aquela voz me chama
De um lado a outro uma diversa me atrai
Ora uma, ora outra...
"Contorciono" meu corpo
Parto olhos, ouvidos, boca.
Ninguém resiste só e, todos, magneticamente, retornam à unidade que almeja sentir aqueles dois prazeres simultaneamente.
De um lado a dança
De outro as letras
Ora uma, ora outra me reclama, seduz.
As duas me falam
Eu a ambas escuto
Já não posso mais tentar dividir
o que de mim é mais belo se inseparável." (Marice Fiuza Geletkanicz).


“Danço na aula, remexo na parada, desloco na rua, alongo na escada, aqueço na cama, equilibro no horário, já ensaio no sonho.
E, assim, começa tudo outra vez.
E, assim, com os passos mais simples, componho a própria vida e a eternizo como a minha mais bela coreografia.” (Marice Fiuza Geletkanicz)







“É fato que a dança é uma linguagem, razão pela qual eu quero viver eternamente sendo apontada como tagarela”. (Marice Fiuza Geletkanicz).

"Gosto quando meu corpo ajusta os seus ponteiros em sincronia com o que toca.
Meu corpo é meu próprio tempo, o que não existe e não importa.
Gosto de senti-lo alcançando o espelho que me permite, realmente, vislumbrar a mim mesma dos mais improváveis ângulos.
Meu corpo me surpreende.
Gosto da metamorfose que ele promove no que conheço de mim.
Meu corpo me vê e os olhos dele transpassam quaisquer dos meus sentidos.
Não danço para estancar. Danço para explodir, para arrebatar os furacões dos meus extremos.
Meu corpo é eterno
Meu corpo é reflexo
Meu corpo é meu
E eu sou a arte que ele movimenta e carrega em seus braços". (Marice Fiuza Geletkanicz)

março 21, 2012

Aulas Regulares DV Amarein - 2012










Fronteiras do Pensamento anuncia Tzvetan Todorov

Conferência do intelectual búlgaro em Porto Alegre será no dia 3 de setembro

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/03/fronteiras-do-pensamento-anuncia-tzvetan-todorov-3692023.html



Inscrições abertas para o IV SENALIC até o dia 15/04.

IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
03 e 04 de maio de 2012 - São Cristóvão/SE
O espaço literário entre biografias, memórias e cartas
...

INSCRIÇÕES
O evento acontecerá no Campus de São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe, nos dias 03 e 04 de maio de 2012. Estamos recebendo propostas de comunicação. Podem se inscrever para apresentar trabalhos relacionados aos temas dos simpósios: doutores, mestres, graduados, pós-graduandos e graduandos (vinculados ao PIBIC, PIBIX, PIIC, PIBID e PIBITI). Este evento fornecerá certificado de 20 horas aos participantes que estiverem presentes em pelo menos 75 % (setenta e cinco por cento) das atividades desenvolvidas nos dois dias.

Prazos importantes:
Inscrição para apresentação de comunicação com envio de resumos entre 01/03 e 15/04.
Inscrição para ouvinte entre 01/03 e 15/04.
Envio do texto completo apenas entre 20/04 e 25/04 (só receberemos durante esse prazo).
 



"A Dança pode narrar e as Letras podem dançar, celebrando a arte através de um fascinante/contagiante dueto".
(Marice Fiuza Geletkanicz).

"Momento terno este em que passamos de um lado a outro, em que percorremos por nossas encruzilhadas internas e avistamos, dentro de nós mesmos, nossas mais mascaradas faces.
Momento inebriante este em que o desejo de derrubá-las torna-se dominante ao medo de continuar a possuí-las."
(Marice Fiuza Geletkanicz, 2005).


Indefinida

"A pergunta inicial converteu-se, naturalmente, na minha maior incógnita. Se questionarem a respeito de quem sou, escutarão somente o meu profundo silêncio, pois será a resposta mais original que, com sinceridade, poderei expressar."

(Marice Fiuza Geletkanicz, 2005).


"A escrita é o suspiro eternamente enamorado do papel e, ao enredar-se com ela, 'imortaliza-se da' mais arrebatadora renovação."
(Marice Fiuza Geletkanicz)


X Ego

"Quisera poder responder por que só enxergar a mim quando existe um mundo tão grandioso, com tantas criaturas que, neste exato momento, estão a pensar o mesmo que eu".
(Marice Fiuza Geletkanicz, 2005) 
 

"Desta vez, foi o relógio da vida que me despertou, com os seus ponteiros invisivelmente posicionados, na hora certa de sempre, na hora que tinha de ser."
(Marice Fiuza Geletkanicz, 2005).


"A perfeição é acabada e o que eu aprecio sempre ainda está por vir".
(Marice Fiuza Geletkanicz)

08 de março - Dia Internacional da Mulher

Que o Universo derrame sobre nós infinitos pingos de feminilidade. Que o mundo possa ser agraciado com a intensa energia sinuosa da mulher. Graça, força, beleza, espiritualidade, intuição, prazer, vida. Que tais atributos se façam mais presentes no cotidiano de todos, sendo transmitidos/compartilhados por homens e mulheres, pois a celebração não deve restringir-se a gênero, mas voltar-se à ...humanidade inteira a qual merece paz, respeito e a felicidade mais plena! Orgulho-me imensamente de ser mulher e de praticar Dança do Ventre, um ritual sagrado que me permite aproximar a cada dia mais da essência feminina existente em mim e no mundo. A mulher é a mais bela canção de tudo o que tem vida no Planeta! Felicidades a todos nós!
 
"A lágrima é o suor do olho dançante".
(Marice Fiuza Geletkanicz).

"A vítima, a poderosa, a esposa, a mãe, a filha.
Somos muitas, somos bailarinas, donzelas, cortesãs, senhoras, meninas.
Todas estamos rodopiando no tempo, trajando vestidos coloridos, pintados por nossa imaginação, esperando que ela nos revele quem verdadeiramente somos."
(Marice Fiuza Geletkanicz, 2005)

"O que é uma única vida para quem acredita na existência eterna da alma? E a minha, com a certeza ditada pelo coração, dança"
(Marice Fiuza Geletkanicz)

"As palavras emitidas na/pela dança são as únicas que, certamente, nunca poderão ser falsas".
(Marice Fiuza Geletkanicz)

Quando a Dança (e/é) Eu

Quando meus braços erguem-se, levanto o pensamento metamorfoseado em sentimento.

Quando meu corpo gira, faço dele o furacão capaz de deslocar as imagens com a artimanha do seu vento.
...

Quando minhas pernas equilibram-se, deslizo na teimosia da harmonia que se deixa revelar.

Quando minhas mãos se movimentam, sinto-me seduzir pelo que elas passam a refletir.

Quando o meu suor escorre, esvaio-me deste mundo, pingando nele a água límpida que de mim renovada transborda.

Quando eu danço, minha alma alcança o infinito e retorna ao seu templo sagrado como dizer-me que um não vive sem o outro, como a dizer-me que a minha dança e eu seremos, eternamente, uma só."

(Marice Fiuza Geletkanicz)



Inconfundível...

"A lágrima que derramo pela/na dança não pode ser comparada a nenhuma outra seja qual for a ocasião". (Marice Fiuza Geletkanicz)

fevereiro 24, 2012

fevereiro 22, 2012

Rede Record, Programa HOJE EM DIA, a partir das 9h, no quadro SUPERAÇÃO: Isete Najla!

Seminário Internacional Letras (UCS) 2011 - Simpósios Temáticos (Bakhtin)

http://www.youtube.com/watch?v=nHTCly-ccIY&feature=share


Leitura do texto literário: um viés enunciativo.

Marice Fiuza Geletkanicz *

Resumo: Este trabalho visa discutir a fragilidade da dicotomia entre língua e literatura no ensino. Para isso, nos inspiramos em Beth Brait (2000), que diz que “O profissional de Letras [...] terá necessariamente de estar apto, enquanto escuta e enquanto olhar, para essa multiplicidade de formas de mobilização da língua, impedido [...] de assumir uma possível dicotomia entre língua e literatura, uso e criatividade, especialmente no que diz respeito ao ensino e à pesquisa”. Para demonstrar essa percepção da fusão (que concebemos inquestionável) dos campos linguístico e literário, selecionamos o conto dos Irmãos Grimm, intitulado As Três Linguagens, para uma proposta de análise. Nele, abordaremos a multiplicidade de vozes sociais que podem ser percebidas na trama pontuada de discursos persuasivos e autoritários das personagens. Algumas dessas atuam como forças centrípetas e outras centrífugas, capazes de representar e instigar as mais diversas posições axiológicas. Nesse sentido, a proposta que trazemos tem como objetivo a leitura dessa narrativa literária sob o viés da lingüística da enunciação, perspectiva através da qual se torna possível o reconhecimento não somente dos enfoques simbólicos e literários comumente explorados em aulas de literatura, mas da vasta riqueza lingüística que o conto oferece. Além disso, ao enfocar os jogos de poder transmitidos via linguagem, a narrativa favorece a reflexão sobre o movimento de um contexto social, proporcionado pelas relações dialógicas que o constituem.

Palavras-chave: Língua e Literatura. Ensino. Análise enunciativa.

Primeiro Solo - Improvisado, Incompleto, mas Inesquecível! (Meu aniver)

Parte 1

<object width="176" height="144" ><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="movie" value="http://www.facebook.com/v/2678327964066" /><embed src="http://www.facebook.com/v/2678327964066" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="176" height="144"></embed></object>

Parte 2

<object width="176" height="144" ><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="movie" value="http://www.facebook.com/v/2678392325675" /><embed src="http://www.facebook.com/v/2678392325675" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="176" height="144"></embed></object>

Confraternização de Final de Ano Amarein - B1

<object width="320" height="240" ><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="movie" value="http://www.facebook.com/v/2327063342670" /><embed src="http://www.facebook.com/v/2327063342670" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="320" height="240"></embed></object>

Confraternização de Final de Ano Amarein - B2 - Restaurante Lubnann (10/12/11)

http://www.youtube.com/watch?v=8BOST625Mfg&feature=youtu.be

fevereiro 21, 2012

Lulu Sabongi, Hadia e Soraia Zaied - Templo do Oriente

É sempre bom recordar...Filologia

a)    Paleografia é a ciência que estuda as antigas escrituras e os tipos caligráficos de outras áreas.



b)    A mais antiga forma dos manuscritos era a de rolo, mas havia também em forma de livro.



c)    A Diplomática estuda antigos documentos oficiais.



d)    Os árabes aprenderam com os chineses a fabricação do papel.



e)    Na França, durante o Renascimento, os monges conseguiram obter um tipo caligráfico bastante simples e largamente estético a que deram o nome de minúscula redonda.



f)     O estudo da paleografia é fundamental para os estudos filológicos auxiliando na crítica dos textos.



g)    Dava-se o nome de scriptorium ao conjunto de instrumentos e tintas necessários ao ofício de copista.



h)    A ciência que tem por objetivo de estudo os escritos em moedas e medalhas comemorativas é a Numismática.



i)      Os pergaminhos são peles de vários animais excelentemente preparadas sobre os quais os copistas escreviam com arte inigualável.



j)      É trabalho da Epigrafia o estudo da composição de epígrafes e de inscrições lapidares dos monumentos antigos de grande resistência, como pedra, bronze, mármore etc.



k)    Na paleografia latina temos dois tipos fundamentais de escrita: visigótico e gótico francês.



l)      O Visigótico é lembrado como o mais belo tipo caligráfico já conhecido.



m)  Os pergaminhos raspados ou lavados em que se copiavam novos textos recebem o nome de palimpsestos ou rescritos.



n)    O material mais antigo, usado pelos copistas, sobre o qual se escrevia é conhecido pelo nome de papiro.



o)    Além do volumen, que era em forma de rolo, havia o codex, em forma de livro.

  

Definição breve:


a)    pergaminho: empregado na Idade Média e originário da cidade de Pérgamo. Os pergaminhos são peles de inúmeros animais, excelentemente preparadas sobre as quais os copistas escreviam com arte inigualável.



b)    palimpsesto: pergaminho já escrito, que era raspado ou lavado para nova utilização.



c)    scriptorium: conjunto dos instrumentos e tintas necessários ao ofício de copista. O termo era também conhecido por Theca Libraria, local de trabalho dos copistas.  



d)    paleografia: ciência que estuda as antigas escrituras e os tipos caligráficos de outras eras.



e)    numismática: ciência que tem por objetivo de estudo os escritos em moedas, medalhas comemorativas.



f)     epígrafe: inscrição em material de grande resistência, como pedra, bronze, mármore, paredes, muros etc.



g)    monges copistas: religiosos dedicados à cópia e redação dos manuscritos.



h)    manuscrito: documento escrito ou copiado a mão.



i)      codex: manuscrito elaborado com folhas de papiro sobrepostas, em forma de livro.



j)      volumen: manuscrito em forma de rolo.



k)    rolo: volumen que se enrolava numa vareta (umbelicus) oposta à extremidade esquerda do leitor ou nas duas extremidades do manuscrito.



l)      miniatura: desenhos minúsculos feitos com tinta vermelha (minium) em iniciais ou em espaços próprios que serviam para ilustrar os manuscritos. Atualmente, o termo passou a significar não mais a cor ou o material, mas o tamanho do trabalho realizado.



m)  gótico francês: tipo caligráfico bastante simples e grandemente estético obtido nos escritórios monacais da França. Possuía forma angulosa nas extremidades das letras, os traços curvos foram substituídos por retos, terminando sempre em ângulos agudos. Imitavam, portanto, o arco agudo da arquitetura gótica.



n)    visigótico: denominado também como gótico redondo de Espanha, era considerado o mais belo tipo da caligrafia já conhecido.



o)    estudos filológicos: estudos referentes aos documentos literários (escritos) que permitem analisar a língua como instrumento de expressão ao pensamento, às emoções artísticas de um povo em determinada época.



p)    notas tironianas: são as mais antigas formas de taquigrafia européia.



q)    abreviatura: recurso utilizado pelos copistas para economizar espaço nos pergaminhos, visto que consistia na redução de uma palavra a algumas sílabas ou letras.



r)     diplomática: ciência que trata de documentos oficiais antigos.



s)    sigla: letras do alfabeto romano, maiúsculas, que sozinhas representavam palavras completas, das quais eram as iniciais.



Breve comentário relacionando os estudos filológicos à Igreja. Suporte e fonte para a argumentação: o filme O Nome da Rosa.

Saliento a relevância da obra relativa à representação do universo da linguagem como forma de conhecimento, à maneira de propagação em que se deu num contexto histórico tão conturbado como o medieval.

Como, na Idade Média, o pensamento predominante era de que “os cristãos poderiam e deveriam tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que fosse importante e útil para o desenvolvimento da doutrina cristã, desde que fosse compatível com a fé”. (Livro II, B, Cap. 41), percebemos na biblioteca do mosteiro beneditino da Itália o objeto central da trama. É através dela que podemos verificar a forte influência da Igreja como detentora de todo conhecimento de que se tinha registro, o que lhe garantia o poder e a dominação sobre o resto da sociedade que perante ela curvava-se amedrontada, em silêncio. Reside aí um dos aspectos mais interessantes abordados nessa história, pois nos leva a refletir como os monges, praticamente os únicos alfabetizados da época, que trabalhavam como copistas e redatores dos manuscritos, foram justamente os responsáveis por privar o povo do contato com grande parte de documentos da sabedoria grega e latina, seja escondendo-os ou destruindo-os, o que no filme está bem representado através da fala do bibliotecário Jorge de Burgos, referente à obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, também muito influenciada por Aristóteles: “a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo”, isto é, fica a mensagem de que através de obras como essa, fortemente interessantes ao público, a doutrina cristã seria arrebatedoramente questionada e ameaçada em detrimento das inovações oriundas delas. Assim, explica-se o mistério em torno da biblioteca que, por conter o maior acervo do cristianismo na época, matinha-se secreta até entre os próprios membros da Igreja, visto que apenas alguns monges tinham acesso às publicações nela conservadas. Isso está bem simbolizado na trama ao mostrar que aqueles que conseguiam chegar à biblioteca, através das passagens secretas de um labirinto, ao final, eram mortos cruelmente pela própria sede de conhecimento que possuíam, pois as páginas das obras eram envenanadas, deixando,como rastro a língua e os dedos das vítimas roxos. Além disso, o filme “traz a público” a prática dos palimpsestos, muito comum na época nos mosteiros e que consistia em raspar ou lavar o que já estava escrito nos pergaminhos, geralmente textos científicos e filosóficos da Antiguidade Clássica, para substituí-los, escrevendo ou copiando novos textos de cunho religioso, por exemplo. O filme também nos permite observar, sob uma atmosfera rica em detalhes, o local de trabalho dos copistas, bem como os materiais de que eles faziam uso para a realização desse e de outros procedimentos.

Portanto, certamente, O Nome da Rosa, de Umberto Eco, é o clássico que talvez melhor represente as inúmeras facetas vivenciadas pelo homem, seja no âmbito econômico, social, cultural, político ou religioso, durante a Idade Média, época também conhecida como Idade das Trevas. Se considerarmos a relação entre os estudos filológicos e a Igreja através dos aspectos aqui apresentados e retratados na Literatura, já podemos vislumbrar alguns dos motivos pelos quais assim pode ter sido considerada.

(Marice Fiuza Geletkanicz)

Breve reflexão sobre "O Mal-Estar na Civilização", de Freud.

Da Obra O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud, destaco primeiramente o conceito de ‘felicidade’. Segundo o autor, a humanidade denuncia, através de seu comportamento, a conquista da felicidade como representante do que a motiva viver. Esclarece que no processo de obtenção desse sentimento o indivíduo ao mesmo tempo em que almeja para si uma ausência de sofrimento e desprazer, quer experimentar, em profundidade, sentimentos prazerosos, o que configura uma dicotomia de objetivos, duas metas distintas pelas quais o homem transita, conforme suas necessidades, interesses.  Além disso, explica que é o princípio do prazer o responsável por definir a intenção de vida dos homens, pois é a ele que está associada a ‘felicidade’ restritamente, a qual é reconhecida como a satisfação de necessidades oprimidas possibilitadas somente por meio de uma manifestação parcial, restringida à própria constituição humana.

Outro aspecto interessante, mencionado por Freud, trata de uma intensa mazela humana. Para ele, a infelicidade é mais recorrente no “cotidiano mental/emocional” das pessoas e o sofrimento pode afetá-las a partir de três direções, tais como: a do próprio corpo, decadente e dissoluto; a do mundo externo, voltado contra a humanidade, e a dos relacionamentos entre os seres. Assim, reflete que, em virtude dessas “variáveis” do sofrer, o homens habituaram-se a ponderar seus desejos a ponto de considerarem felicidade apenas o escape à infelicidade ou a sobrevivência ao sofrimento, deixando, por isso, em segundo plano a concretização do prazer que poderiam experimentar. O autor também elucida que todo sofrimento é sensação que existe em conseqüência da forma com que está regulado o organismo.

Nesse sentido, dentre os métodos de influência descritos por Freud para evitar o sofrimento, destaco o químico, tido por ele como mais eficaz, pois é comprovado que o contato de substâncias intoxicantes com o sangue ou tecidos ocasionam sensações prazerosas, alteram as condições de sensibilidade, incapacitando o recebimento de impulsos desagradáveis. De acordo com o teórico, o tóxico além de produzir prazer de maneira imediata, também confere uma noção de independência em relação ao mundo externo, porque atua como uma espécie de “amortecedor de preocupações”, efeito através do qual é possibilitado o distanciamento das pressões sociais e o envolvimento mais estreito com a sensibilidade. No entanto, Freud enfatiza que reside justamente nesse ponto a periculosidade dos intoxicantes, uma vez que favorecem considerável perda de energia relevante para fins de desenvolvimento do mundo/humano.

Por fim, questiono se a capacidade de os alunos sentirem a felicidade nas experiências escolares não se encontra ainda indiscutivelmente abalada porque o princípio do prazer, como vimos responsável pelo propósito de vida do indivíduo, é, muitas vezes, deixado em segundo plano em detrimento de um ensino sofrido que, quando transmitido pelo viés da acomodação, não ousa metodologicamente nem instiga a afetiva aprendizagem dos alunos, ou seja,  indago se nós, educadores, podemos aplicar os mesmos conceitos de felicidade e sofrimento descritos por Freud à realidade atual das salas de aula/ à crise na educação.
(Marice Fiuza Geletkanicz)

CAP. II - CRIAÇÃO IDEOLÓGICA E DIALOGISMO


No capítulo segundo, da obra Linguagem e Diálogo: as idéias lingüísticas do Círculo de Bakhtin, intitulado Criação Ideológica e Dialogismo, Faraco retoma a significativa representatividade dos três intelectuais russos: Bakhtin, Voloshinov e Medvedev para a ilustração do pensamento do Círculo.  
Primeiramente, o autor elucida sobre o conceito de ideologia para o grupo. Segundo ele, essa palavra é utilizada para designar o universo dos produtos do “espírito” humano (que engloba as manifestações superestruturais, como a arte, ciência, filosofia), também reconhecido como cultura imaterial ou produção espiritual; e de formas da consciência social. Por isso, explica que não se deve conceber os termos ideologia, ideologias, ideológico, nos textos do Círculo, de forma restrita e negativa.
Em seguida, enfatiza que o enunciado é, para eles, sempre ideológico (axiológico) em duas direções: dá-se na esfera de uma ideologia e expressa um posicionamento social avaliativo, portanto, isento de neutralidade. Logo, o ideológico é um signo e de natureza semiótica o seu universo, identificação que servirá de fundamento para a construção da teoria materialista (filosofia da cultura). Nesse sentido, Faraco salienta que, para o Círculo, “Os signos emergem e significam no interior de relações sociais, estão entre seres socialmente organizados; não podem, assim, ser concebidos como resultantes apenas de processos fisiológicos e psicológicos de um indivíduo isolado ou determinados apenas por um sistema formal abstrato”. (p.48).
Tendo em vista a premissa de que o sujeito não possui relações diretas com a realidade, o autor explica que os signos refletem e refratam o mundo simultaneamente. Refração, esclarece, é a maneira como se dão, no signo, as diversidades e divergências provenientes das experiências entre os seres em sociedade, as quais, por serem múltiplas e heterogêneas, conferem ao signo, como condição de funcionamento, o caráter plurívoco (multissêmico). Portanto, “não é possível significar sem refratar. Isso porque as significações (...) são construídas na dinâmica da história e estão marcadas pela diversidade de experiências dos grupos humanos, com suas inúmeras contradições e confrontos de valorações e interesses sociais” (p.50).
Além disso, Bakhtin utiliza a expressão vozes sociais (ou línguas sociais) para nomear as inúmeras refrações do objeto, encarando-as como “complexos semiótico-axiológicos com os quais um determinado grupo humano diz o mundo” (p.55). Ainda, conforme Faraco, Bakhtin entende a linguagem “não como um ente gramatical homogêneo, mas como um fenômeno sempre estratificado (pela saturação da linguagem, pelas axiologias sociais, pelos índices sociais de valor”. (p.55). Acrescenta que com a criação da Sociolinguística somou-se à estratificação social e espacial uma terceira capaz de estabelecer uma relação sistemática entre as formas gramaticais e a estrutura social, o que possibilitou a compreensão da língua como “um conjunto indefinido de vozes sociais – que caracteriza a heteroglassia (ou plurilinguismo)” (p.56). Faraco salienta que Bakhtin prioriza a dialogização dessas vozes, a dinamicidade semiótica, apresentada em três distintas direções: todo dizer orienta-se para o “já dito”; é orientado para a resposta; é dialogizado internamente.
A seguir, Faraco esclarece que para o Círculo importa menos o diálogo em si e mais o que ocorre nele/a partir dele, isto é, a interação social, o que Voloshinov denomina “colóquio ideológico em grande escala” ou “simpósio universal”, conforme Bakhtin. Salienta, por isso, que a valorização das práticas cotidianas e a proposição das duas esferas: ideologia do cotidiano e sistemas ideológicos constituídos, como interdependentes favorecem uma teoria sociocultural sem desprezar o cotidiano e supervalorizar as esferas mais elaboradas. Assim, “Não se perde uma fragmentação empiricista, nem se condena ao determinismo inexorável de grandes estruturas” (p.62).
Outro conceito do Círculo, apontado por Faraco, é o das relações dialógicas, isto é, relações entre índices sociais de valor, de sentido estabelecidas através dos enunciados ou no interior deles (bivocalidade). Também fala sobre a metáfora do diálogo que permite a compreensão acerca dos estudos do Círculo sobre a linguagem e a criação ideológica de amplo modo. Igualmente relevante para melhor apropriar-se do pensamento do Círculo é atentar para a chamada “utopia bakhtiniana”, ou seja, “a idéia de que a vida humana é por sua própria natureza dialógica”. (p. 73). Afinal, conforme Bakhtin “ser significa se comunicar, significa ser para um outro e, pelo outro, ser para si mesmo” (p.73). Dessa forma, tem-se nesse trecho a marca do posicionamento de Bakhtin, contrário ao monologismo e favorável ao diálogo em sua plenitude, como elemento que preserva a liberdade dos sujeitos, respeitando os seus posicionamentos através de “uma relação em que o outro nunca é reificado; em que os sujeitos não se fundem, mas cada um preserva sua própria posição de extra-espacialida e e excesso de visão e a compreensão daí advinda”. (p.74).
(Marice Fiuza Geletkanicz)


UniRitter/Laureate International Universities

http://www.uniritter.edu.br/

Professora e Bailarina da Escola Amarein Bellydance

http://hannyahbellydancer.com/

Agenda de Cursos Amarein 2012 (Priscila Fontoura)

WORLD BELLY DANCE DAY - 12/05/2012



Antes que o Mundo Acabe, de Marcelo Carneiro da Cunha (Literatura Infanto-Juvenil)


Antes que o Mundo Acabe, de Marcelo Carneiro da Cunha, relata uma trama contemporânea, através de uma narrrativa autodiegética. Apesar de o local em que se passa a história não ser mencionado, percebemos, através do texto e das fotografias, que o palco dos acontecimentos é a cidade de Porto Alegre. Os personagens da obra são: Daniel (protagonista), Daniel (pai biológico), a mãe de Daniel, Antônio (padrasto de Daniel), Lucas (melhor amigo de Daniel), Mim (namorada de Daniel), Strossmann (desafeto de Daniel), Vó Miló (avó de Daniel).

A história tem início com o relato do problema pelo qual passa o amigo de Daniel, Lucas, que morava em um orfanato e foi adotado por uma família de condições financeiras precárias. Lucas carrega consigo marcas de um passado e de uma vida de sofrimento. Quase tudo que acontece de errado na escola onde Daniel, Mim e Lucas estudam recai sobre os ombros dele como, por exemplo, o roubo dos objetos que sumiram do laboratório de ciências e que resultaram, por fim, na sua expulsão do colégio. Paralelamente a esse fato, Daniel começa a receber cartas do pai que ele sequer conhece pessoalmente e que é um fotógrafo residente na Tailândia. As cartas que Daniel recebe após quinze anos de ausência do pai vêm com uma série de informações sobre as razões pelas quais o pai dele tomou a decisão de deixar a vida com ele para seguir a careira de fotógrafo. Daniel reflete e acaba por entender que o seu pai não o abandonou e que havia um ideal muito forte por trás daquele grande fotógrafo. Uma frase que resume bem a posição do pai de Daniel é quando ele explica ao filho sobre a conversa que teve com a mãe: “Eu disse a ela que também já tinha uma decisão. Que eu não tinha absolutamente nada contra um filho. Mas que tinha absolutamente tudo contra ser um pai”. (p. 80). E, realmente, são coisas bem distintas. O pai dele não tinha nada contra ele, porém ser pai, naquele momento, efetivamente, seria um problema. Explica, com uma pitada humorística, que ele não suportaria ver um filho torcendo para o inter ou ainda sendo “metaleiro”, evangélico, entre outras características que ele temia que o filho apresentasse. À medida que eles vão se correspondendo, Daniel vai se familiarizando com a realidade, a vida, a personalidade do pai. Ele também interage com sua namorada, sua mãe e o padrasto (pelo qual sente profunda afinidade) sobre o conflito que é descobrir este novo pai após tantos anos. Através das cartas, o pai de Daniel fala sobre a paixão pela fotografia, sobre o projeto no qual está trabalhando, denominado Antes que o Mundo Acabe, e da doença que contraíra na Ásia, a malária. Daniel, o filho, começa a identificar-se com a profissão do pai e, por sua conta, passa a fotografar algumas situações do seu cotidiano para enviar ao pai que ao recebê-las não se conteve de emoção.  Mal sabia Daniel que as suas fotos ajudariam o melhor amigo, Lucas, a retomar a sua dignidade perante a comunidade, pois como citado inicialmente, Lucas era o principal suspeito dos furtos na escola há muito tempo, acontece que certo dia, Daniel percebeu que em uma das suas fotografias registrou a imagem de um garoto muito parecido fisicamente com um dos monitores, que tinha acesso livre às dependências do laboratório, e que naquele momento deveria estar trabalhando nele, mas, na realidade, não estava. Assim, ficou confirmado o verdadeiro autor dos furtos, Strossmann. Inconformado com acusação injusta sofrida por Lucas, Daniel propôs à direção da escola que fosse feito um pedido de desculpas formal, em público, no auditório, para que a comunidade pudesse compensar o menino por todo o constrangimento sofrido, o que de fato ocorreu. Após, Daniel contou ao pai que as suas fotos ajudaram a esclarecer o caso do seu amigo, Lucas. O pai de Daniel, ainda mais emocionado, envia de presente para o filho o colete que possui o emblema do projeto Antes que o Mundo Acabe, uma câmera profissional e, em seguida, entra em contato telefônico com a mãe de Daniel a fim de conseguir permissão para viajar com o filho ao México para continuarem juntos o trabalho com fotografias que integra o projeto. Assim, o pai de Daniel, anos mais tarde, vê que o filho tornou-se uma pessoa com ideais muito semelhantes aos seus e, para sorte de ambos, conseguiram criar um belo vínculo “antes que o mundo acabasse” para um deles,


Antes que o Mundo Acabe

Marcelo Carneiro da Cunha



A obra, narrada em primeira pessoa pelo narrador-personagem, Daniel, além de ser transmitida através de uma leitura simples, próxima da oralidade, dinâmica, com muitos diálogos, possui uma diversidade lingüística riquíssima ao reunir, relacionar e incorporar à sua linguagem gêneros distintos, como o texto em forma de carta e a fotografia. Por essa razão, certamente, uma narrativa inovadora, envolvente e que por entrelaçar temas atemporais presentes “ao lado e do outro lado de nós” cativa-nos desde o primeiro momento, fazendo-nos refletir acerca das adversidades sociais inseridas na pluralidade cultural existe neste mundo, como o próprio título da história adverte, “antes que ele acabe”.

Nosso personagem principal, como vimos, é um adolescente, portanto, a trama é repleta de aventuras, situações conflitantes, perturbadoras, que marcam o período de transição que envolve a puberdade. O público infanto-juvenil identifica-se com a obra ao deparar-se com uma linguagem próxima da realidade do seu cotidiano e do seu universo interno e que se dá através dos diferentes envolvimentos entre os personagens e os acontecimentos que ao longo da história sucedem e que, especificamente, em Antes que o Mundo Acabe estão sendo representados, por exemplo: pela gravidez que não fora planejada; pelo reaparecimento do pai de Daniel após quinze anos sem dar notícias; pelo convívio de Daniel com uma família fora dos padrões tradicionais ditados pela sociedade, composta por uma mãe chorosa, uma avó rígida e um padrasto afetuoso, fraterno; pela relação sentimental não correspondida pela garota, Mim, a qual Daniel apaixonara-se; pelo laço de amizade entre Daniel e o menino Lucas, que não faz parte do mesmo nível social dele; pela falta de afinidade que Daniel sente por determinadas pessoas ou perfis de personalidade como o de Strossmann; por debater sobre os delitos praticados pelos dependentes químicos para custear o consumo de drogas (também representado pela figura de Strossmann); pela falta de engajamento de Daniel dentro de uma instituição de ensino que, inicialmente, aparentava posturas preconceituosas; por apresentar o tema da globalização através de exemplos variados como, por exemplo, a tecedeira que leva uma semana para produzir o que uma máquina moderna faz em uma hora ou, ainda,  quando o pai de Daniel pergunta se já há um Carrefour construído no local onde ficava um botequim; pelo próprio processo de amadurecimento que Daniel começa a construir através do envolvimento afetivo com o pai.

Injustiças, preconceitos, diferenças, medos, confusões, inseguranças, confrontos, o desconhecido, rejeição, abandono, mentiras, verdades, realidade, carências, paixão, amizade, família, amor, emoções. Enfim, são inúmeras as situações em que o leitor irá identificar-se, pois delas surgirão tantas outras como conseqüência e que tomarão forma em nossas ações, nossos pensamentos e sentimentos, isto é, neste misto de emoções que permeia nosso mundo interno e externo, a visibilidade sobre nós como indivíduos e sociedade, a consciência sobre o Eu como base e essência num mundo que nunca irá acabar se soubermos lidar com ele e com nós mesmos, porém, isso só será possível, como a obra justamente remete e instiga, se soubermos ver de verdade. Você consegue? Consegue ver mesmo? Façamo-nos esse questionamento, sempre, a cada novo amanhecer para que possamos realmente enxergar mais e sempre!


Sites consultados

 




(Marice Fiuza Geletkanicz, 2008)