Da Obra O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud, destaco primeiramente o conceito de ‘felicidade’. Segundo o autor, a humanidade denuncia, através de seu comportamento, a conquista da felicidade como representante do que a motiva viver. Esclarece que no processo de obtenção desse sentimento o indivíduo ao mesmo tempo em que almeja para si uma ausência de sofrimento e desprazer, quer experimentar, em profundidade, sentimentos prazerosos, o que configura uma dicotomia de objetivos, duas metas distintas pelas quais o homem transita, conforme suas necessidades, interesses. Além disso, explica que é o princípio do prazer o responsável por definir a intenção de vida dos homens, pois é a ele que está associada a ‘felicidade’ restritamente, a qual é reconhecida como a satisfação de necessidades oprimidas possibilitadas somente por meio de uma manifestação parcial, restringida à própria constituição humana.
Outro aspecto interessante, mencionado por Freud, trata de uma intensa mazela humana. Para ele, a infelicidade é mais recorrente no “cotidiano mental/emocional” das pessoas e o sofrimento pode afetá-las a partir de três direções, tais como: a do próprio corpo, decadente e dissoluto; a do mundo externo, voltado contra a humanidade, e a dos relacionamentos entre os seres. Assim, reflete que, em virtude dessas “variáveis” do sofrer, o homens habituaram-se a ponderar seus desejos a ponto de considerarem felicidade apenas o escape à infelicidade ou a sobrevivência ao sofrimento, deixando, por isso, em segundo plano a concretização do prazer que poderiam experimentar. O autor também elucida que todo sofrimento é sensação que existe em conseqüência da forma com que está regulado o organismo.
Nesse sentido, dentre os métodos de influência descritos por Freud para evitar o sofrimento, destaco o químico, tido por ele como mais eficaz, pois é comprovado que o contato de substâncias intoxicantes com o sangue ou tecidos ocasionam sensações prazerosas, alteram as condições de sensibilidade, incapacitando o recebimento de impulsos desagradáveis. De acordo com o teórico, o tóxico além de produzir prazer de maneira imediata, também confere uma noção de independência em relação ao mundo externo, porque atua como uma espécie de “amortecedor de preocupações”, efeito através do qual é possibilitado o distanciamento das pressões sociais e o envolvimento mais estreito com a sensibilidade. No entanto, Freud enfatiza que reside justamente nesse ponto a periculosidade dos intoxicantes, uma vez que favorecem considerável perda de energia relevante para fins de desenvolvimento do mundo/humano.
Por fim, questiono se a capacidade de os alunos sentirem a felicidade nas experiências escolares não se encontra ainda indiscutivelmente abalada porque o princípio do prazer, como vimos responsável pelo propósito de vida do indivíduo, é, muitas vezes, deixado em segundo plano em detrimento de um ensino sofrido que, quando transmitido pelo viés da acomodação, não ousa metodologicamente nem instiga a afetiva aprendizagem dos alunos, ou seja, indago se nós, educadores, podemos aplicar os mesmos conceitos de felicidade e sofrimento descritos por Freud à realidade atual das salas de aula/ à crise na educação.
(Marice Fiuza Geletkanicz)
Importante a tua reflexão sobre a necessidade de uma educação que promova a liberdade e criatividade, em contraste com a educação atual que estabelece o controle dos corpos e mentes.
ResponderExcluirAbaixo a Moral Sexual Civilizada (sinônimo de hipocrisia).