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fevereiro 21, 2012

Quando a Dança (e/é) Eu

Quando meus braços erguem-se, levanto o pensamento metamorfoseado em sentimento.

Quando meu corpo gira, faço dele o furacão capaz de deslocar as imagens com a artimanha do seu vento.


Quando minhas pernas equilibram-se, deslizo na teimosia da harmonia que se deixa revelar.

Quando minhas mãos se movimentam, sinto-me seduzir pelo que elas passam a refletir.

Quando o meu suor escorre, esvaio-me deste mundo, pingando nele a água límpida que de mim renovada transborda.

Quando eu danço, minha alma alcança o infinito e retorna ao seu templo sagrado como dizer-me que um não vive sem o outro, como a dizer-me que a minha dança e eu seremos, eternamente, uma só."

(Marice Fiuza Geletkanicz – 14/02/2012)

Leitura de "Fedro" - Criação de diálogo entre Amón e Thoth

Thoth: _ Eis, ó Rei, uma arte que tornará os egípcios mais sábios e os ajudará a fortalecer a memória, pois com a escrita descobri o remédio para a memória.

Amón: _ Tu, neste momento e como inventor da escrita, esperas dela, e com entusiasmo, todo o contrário do que ela pode vir a fazer.

Thoth: _ Ó Rei, que idéias guardam tuas palavras?

Amón: _ Acaso crês, realmente, que mais sábio se tornará o homem apenas por valer-se de um manuscrito? Penso que a tua invenção mais corrobora para a acomodação do pensamento e da atitude, já que, ao apoiar-se em um registro, o homem liberta-se do compromisso com a sua própria memória.

Thoth: _ Respeitosamente, caro Rei, minha intenção ao inventar a escrita é a de homenagear a memória de todos os indivíduos do teu Reino.

Amón: _ Embora tuas palavras me intriguem, que “mágica” pretendes apresentar para que a memória de todo o meu vasto reino caiba numa folha de papel, por exemplo?

Thoth: _ Ó, sábio Rei...Distante do meu objetivo está iludi-lo de alguma forma. Pretendo, sim, compartilhar uma riqueza que, através desta boa nova, representa a perpetuação não somente de uma história, a nossa, mas de tantas outras que com ela coexistem. Com a possibilidade de registrar todo o tipo de conhecimento desenvolvido por intermédio destes sinais gráficos, almejo que a sabedoria esteja acessível a todos de modo que cada pessoa possa não apenas desfrutar desse conhecimento proporcionado pela escrita, mas também realizar novas descobertas, agregando outros sentidos a ela.

Amón: _ Interessante o que me explanas. Porém, devo ainda questionar se a escrita por si só possa realizar tão solene tarefa, pois nossos alunos terão uma grande demanda de informação para dar conta, mas serão carentes de sabedoria. Afinal, o que pensas mais valer a um semeador: um barril cheio de grãos úmidos e putrificados ou um saco de sementes secas e com brotos?

Thoth: _ Ó, Rei dos Reis. Demonstras através desse exemplo toda a tua sabedoria. Ele é tão belo que dele farei uso para refletirmos juntos sobre o assunto. É possível que uma semente jogada a esmo, em um solo despreparado, germine sem o devido tratamento e cuidado?

Amón: _ Certamente que não!

Thoth: Pois bem, não poderíamos, assim, inferir que os grãos são como os escritos, os semeadores são como os mestres, professores-filósofos que se deliciam com a sinceridade e a entrega de um possível “seguidor”, e que a terra na qual cada palavra será plantada bem poderia representar esse pupilo?

Assim, um bom semeador prepara o solo que irá acomodar os seus grãos para que eles resultem, após longo período de dedicação, em belas e vastíssimas plantações, às quais, no futuro, proporcionarão ainda grandes colheitas e delas outros grãos surgirão sempre, semeando novos solos, cada vez mais férteis.

Amón: _ Parece-me, meu bom amigo, que agora vislumbro a beleza e a singular finalidade do teu invento.

Thoth: _ Teu elogio como “sentença”, ó Rei, sinaliza, sim, a beleza maior advinda da arte que proponho. Sem percebermos a escrita já está aqui. Ela abençoa nossos discursos, relacionando-os. Com a escrita e por ela aproximei-me de ti, amigo, e, em ti, finalmente, percebi a receptividade tão esperada. Ó, Deuses, abençoem o registro desse encontro de almas. Fortaleço tal súplica, mas como alguém que tem a certeza da dádiva alcançada, pois, certamente, agora, num tempo distante daqui, um mestre (professor) está ao lado de seus discípulos (alunos) lendo.


Depoimento após a apresentação das colegas de DV na confraternização mensal da Amarein

   Como é emocionante ter a oportunidade de ver as colegas dançarem. Vemos além delas. Cada bailarina é formosa de maneira diversa, cada uma possui um estilo diferente, que contagia e instiga as mais diversificadas sensações no público. Cada uma percebe a beleza fluindo pelo seu corpo inteiro... Quase que instintivamente e sem perceber (o que é mais lindo ainda) presenteia a quem a assiste com essa poderosa energia, compartilhando com o universo todo o magnetismo que só a dança é capaz de proporcionar. Por isso, quando uma de nós dança, é como se todas nós estivéssemos ali também, pois todas doamos um pouquinho de nós enquanto a música toca: amizade, felicidade, afeição, prazer, superação. E mesmo quando a música pára, tudo isso continua infinitamente dentro de cada uma. Obrigada, mais uma vez, por fazerem parte da minha vida, que já não é mais a mesma desde que conheci vocês, professoras e colegas da Amarein Bellydance!

Amarein Bellydance Escola de Danças Árabes (A minha escola do coração)

http://www.amareinbellydance.com.br/

Reflexão sobre estilo na dança, compartilhada com as colegas do grupo de estudos da Amarein

No Mestrado em Letras nós lançamos um "provérbio": “não existe o Adão da palavra". Acredito que em muitas coisas da vida acontece o mesmo e a dança pode ser um exemplo. Penso que todas as bailarinas, ao longo de sua trajetória na dança, absorvem muito de outras, sejam elas colegas talentosas, professoras de aulas regulares, nomes célebres da arte. Parece-me que esse olhar captura, de alguma forma, o que lhe serve como especial fonte de inspiração. Quantas vezes ao assistirmos a Giovana Argenta dançar lembramos de algo da Priscila Fontoura? Quantas vezes vemos as apresentações das colegas nas nossas confraternizações e percebemos habilidades que nos fazem recordar passos que também são executados por excelentes renomadas bailarinas? Certamente, tanto a "Pri"quanto a Giovana, a profe Hannya e as grandes divas da dança se espelharam (e espelham) em alguém. Elas também passaram pelo estágio de aprendizado em que nos encontramos; imagino que também assistiram a vídeos, fizeram passos que pareciam impossíveis de realizar, como, às vezes, nós pensamos, e até reproduziram passos de outras bailarinas, o que não significa mera cópia, banalização, mas, sobretudo, capacidade de superação e é isso o que as diferencia e que nos faz admirá-las a cada dia mais, pois elas souberam, durante esse processo ininterrupto de aprendizado, descobrir e aperfeiçoar a sua técnica em sintonia com o seu estilo. Penso que, para chegarmos a ele, é necessário, em termos técnicos, digamos, muito estudo, dedicação; já em termos subjetivos, parece-me primordial mesmo entregar-se por inteiro à dança, ao que ela transmite, nos faz sentir, pois é ela que nos conduzirá, naturalmente, respeitando o nosso tempo e nossos limites, a essa “conquista” inebriante do nosso estilo. Acredito, sim, que é uma conquista, porque exige uma busca interna muito intensa que, apesar de perdurar pela vida toda, não deixa de refletir o melhor que há em nós quando dançamos. Acredito que é aí que nos transformamos, que é aí, justamente, que nos descobrimos verdadeiramente e podemos presenciar o mais belo eclipse existente no mundo: o encontro da dança com a bailarina que, independente do nível, seja básico ou avançado, já habita dentro de cada uma de nós!

Site Glam Luxor

http://glamluxor.com/

Esboço

Escriba

Na Madrugada

GLAM LUXOR - 2012

WORKSHOP CLAUDIA CENCI

AMAREIN BELLYDANCE - PADRÃO INTERNACIONAL 2012

O Relógio

O Borro

Eclipse da Bailarina

A Dança

Na dança, conecto-me, sobretudo, com o mais divino em mim. Ela é a mais antiga companheira, a amiga com quem mais compartilho confidências. Na dança, absolutamente tudo se transmuta inevitavelmente. Ela sempre será a minha prece mais sincera! (GELETKANICZ, 2011).